Um dia desses estava exercendo meu direito personalíssimo e inprescritível de ficar de preguiça em casa, sábado, ja tinha colocado a casa em ordem e o maridon tava pangolando na casa dos amigos. Vi o Tom Zé no Raul Gil, como gosto do Tom Zé, aguentei o Raul e resolvi assistir ele tirar o chapéu.
Tentei achar o vídeo no Youtube e não achei, se virem vocês pra achar...
Ele defendeu a Tati-Quebra Barraco e deu seu argumento. Me convenci. Me chamem de maria vai com as outras, mas concordo. Não gosto de funk, e muito menos do "estilo" dela. Mas ela descobriu um nicho de mercado e aproveitou, e ta ganhando dinheiro e gastando com plásticas. Direito dela. Não sei se eu faria diferente (já tive que tocar "Fogo e Paixão" do Wando em evento, quem sou eu pra criticar a arte dos outros...).
O funk, assim como o rap alguns anos atrás, é uma arte marginal, e é vista assim porque as letras tem gosto duvidoso, os arranjos são pobres etc. Mas vai exigir o quê de um povo que não teve nenhuma estrutura? Que colocassem Eça de Queiroz nas letras? Que tivessem arranjos elaborados?
Assim como toda forma de arte, ela evolui, e o funk, de uma forma ou de outra supre a necessidade de uma população que só tem acesso acultura quando alguém tenta fazer caridade. O rap, como já foi dito, de declamações sobre violência e drogas passou a letras sobre reflexões e protesto, com muitos artistas premiados, inclusive no Brasil.
Veja os primeiros quadros de Picasso e veja como os traços dele eram feiosos no começo.
Como diziam os Titãs, a gente não quer só comida, a arte é inerente do ser humano, e o que tiver ao alcance deste para se manifestar ele vai usar. Nada mais natural.
Se ao invés de favelas existissem povoados de esquimós, as músicas e as manifestações artísticas abordariam o a cor branca, a neve e o frio.
Se existisse uma colonia de pescadores, abordariam mar, tempestades, peixes e etc.
Bach vivia muitos meses do ano preso em casa em razão na neve, a maioria das musicas dele, abordava temas religiosos relacionados a solidão, família, privações etc.
Concluindo, não curto funk, não gosto do som da Tati, mas o que ela faz é sim uma forma de arte e portanto deve ser respeitada.
PS: como é dificil achar uma foto "aceitável" quando se digita Funk Carioca no Google...